À conversa com First Breath After Coma

         
credit: Brüttafoto 

               Foi em novembro que nos encontramos com os First Breath After Coma para mais uma entrevista do letra-r. Foi no Maus Hábitos –Espaço de intervenção Cultural que nos sentamos com o Pedro (bateria e voz), o Rui (baixo e voz), o Telmo (guitarra e voz) e o João (teclas; faltava o Roberto, que é o vocalista), aquando da sua atuação na segunda edição do Cosmic Mess, juntamente com os Gesso, Vircator e os Aspen. Tivemos tempo para falar um pouco de tudo: desde a aventura do primeiro álbum "The Misadventures Of Anthony Knivet", até às suas inspirações e planos para o futuro.


O vosso primeiro álbum tem o nome de um explorador inglês que no fim de várias viagens escreveu uma espécie de diário sobre elas. Consideram o vosso álbum também como sendo um explorador de terrenos desconhecidos em Portugal como é o caso do post-rock?

*risos*
Telmo: Isto vai ser a responder tudo à sorte, sem ordem, espero que não levem a mal. O post-rock em Portugal até está muito explorado só que não tem muita divulgação. Por exemplo em Leiria temos uma banda, os The Allstar Project, que são uma das maiores bandas de post-rock portuguesas e a divulgação que eles têm não se compara a outra banda que tenha voz e isso. Mas pronto, em relação a isso é verdade, nós fizemos o álbum e a meio, ainda antes de o lançar, estávamos a pensar no conceito e depois quando chegamos à história do Knivet e o livro que ele escreveu sobre as aventuras dele, baseamo-nos nisso na tal ideia de exploração. Agora se estamos a explorar ou não, isso é uma coisa bué relativa. Eu não sei se estamos a explorar uma nova área, que não está explorada.

É uma área que eu acho que não está muito divulgada.

Telmo: Sim e se calhar agarramos no post-rock de uma maneira que possibilitou ser mais divulgado, o facto de pôr voz e de se tornar mais formato canção, porque facilita a divulgação.

Porquê First Breath After Coma e não outra música qualquer?

Telmo: Porque nem todas as músicas dos Explosions In The Sky têm um nome que soe bem para uma banda. *risos*
Rui: E aquela música, o sentido ali do FBAC e de um novo começo, foi basicamente o que nos puxou. Estávamos a começar a ouvir Explosions e também estávamos a precisar de um novo nome para a banda, porque já vínhamos de outra com os mesmos membros, e quando passamos para esta foi um novo começo e então o nome FBAC fez logo sentido.
Telmo: Exato, nós estávamos numa de ver ideias de nomes e quando começamos a ver nomes de músicas de bandas que adorávamos e que soam bem e que têm algum significado começamos a interessar-nos por isso, já se calhar numa de preguiça para inventar um nome novo, não sei. Mas quando nos deparamos com esse nome ele ficou e fazia todo o sentido porque havia uma explicação lógica para ele. Parecia que o nome tinha sido inventado por essa razão. Por isso calhou bem. Foi sorte… Ou azar, não sei, há quem não goste. *risos*

Até que ponto se inspiram nos Explosions In The Sky? Partilham o nome de uma música, partilham o tipo de música que fazem. Gostariam de tocar com eles?

Rui: Gostávamos de tocar com eles e com os Radiohead e com os Sigur Rós e mais umas quantas bandas *risos*. Mas sim na parte das influências, é uma das influências mas não é a principal influência.

As pessoas sabendo o vosso nome e sabendo que é o nome de uma música deles podem pensar que é a principal influência e neste caso é ou não?

Rui: Eu acho que não.
Telmo: As pessoas fazem isso, acontece isso, as pessoas verem e chaparem e dizerem “opá isto aqui é não sei quê” mas se calhar houve uma fase em que Explosions era definitivamente a maior influência só que agora já não é, está longe disso. Quer dizer não está longe, continua a ser um marco, mas já não é a principal influência, expandimos.
Rui: Agora ouvimos tantas bandas. Associam aos Explosions como estamos no mesmo género, apesar de serem coisas diferentes, é normal que façam essa associação.

Têm em mente colaborações com outros artistas portugueses? Têm planeado isso, já pensaram nisso? Se não quiserem ser spoilers não há problema.

Rui: Não há spoilers *risos*.
Telmo: Por acaso é uma coisa que gostávamos de fazer e nunca chegamos a fazer, o álbum já está lançado há mais de um ano. Mas agora já estamos numa de fazer e já começamos mais ou menos uma colaboração, sem spoilar *risos*. Tem mais piada dizer no momento.

Sem querer chegar à banda com quem estão a trabalhar, quais são as bandas do panorama musical português com quem gostavam de colaborar?

Pedro: Xutos! *risos*
João: Nah, se for só o Tim até pode ser.
Telmo: Há muitas bandas, mas temos de pensar se ficava bem, se faz sentido… Por exemplo, um nome do qual todos nós gostamos do panorama musical português e que é muito reconhecido é o Manel Cruz, mas se calhar como canta em português não tem muito a ver com a nossa música. Se calhar nunca iremos tentar uma coisa assim porque não faz muito sentido… Também disse logo um nome enorme. Ele canta sempre em português e nós em inglês. Ele escreve muito bem em português, porque é que ia tentar fazer algo diferente?
Rui: Mas se ele quiser nós não ficamos chateados, dizemos que sim!

Porquê cantar em inglês e não em português? Gostavam de fazer essa transição no futuro?

Rui: Acho que não seja uma hipótese cantar em português.
Telmo: É assim, as nossas músicas têm pouca letra e a pouca que tem nunca é muito elaborada para dar esse espaço ao post-rock, ao instrumental, para se destacar.
Rui: Aliás nós até fazemos primeiro o instrumental e depois a voz, ou até acaba por sair ao mesmo tempo, mas a voz nunca tem uma letra. Quando fazemos a voz, não há letra, inventámos palavras, só melodia. Então depois o inglês parece mais maleável. É mais por uma questão estética.
Telmo: Como tem poucas palavras, e supostamente têm de ser alongadas e têm que soar bem com a música, como se a voz fosse outro instrumento, o português é uma língua um bocadinho cerrada. Como nós, ao ouvir, achamos o alemão cerrado, para a nossa música também achamos o português cerrado.
Rui: Eu acho que a questão é mesmo ou se sabe escrever em português e cantar em português ou mais vale estar quieto porque é mesmo difícil escrever.

Andámos a pesquisar e encontramos uma entrevista vossa, de quando ainda eram os Kafka Dog, *neste momento toda a gente se perdeu de riso* no qual um rapaz dizia, quando se refere a vocês, “São a melhor banda do mundo e daqui a 3 anos vão estar no Paredes de Coura!”.

Telmo: É o Mixi!

Não sei, ele estava com um copo de cerveja na mão…

Telmo: E na barriga tinha outros tantos! Grande tesourinho deprimente que nós temos! *risos* 

A entrevista data de janeiro de 2011. Efetivamente estiveram em Paredes de Coura este ano, a tocar no pré-festival. Têm algum médium no vosso grupo de amigos?

Telmo: Há pouco tempo reparamos nisso. Lembramo-nos, fomos ver e dissemos “Olha lá, 2011 foi há três anos! O gajo previu o futuro!”. O gajo agora dá cartas, lê a sina!
Rui: Temos de lhe pedir mais coisas. *risos*

Sabemos que gostam mais de concertos em espaços mais reservados, pela sensação intimista que existe entre o público e a vossa música. Sendo o Paredes de Coura um sonho vosso, tiveram essa sensação em plena vila?

Telmo: Nós quando falamos de concertos intimistas falamos de concertos em espaços fechados, como num teatro, para um número de pessoas mais fechado e as pessoas estão sentadas, mais concentradas. Como não estão “nos copos” e a conversar dão-nos mais atenção.
Rui: E também é como gostámos mais de ver concertos.
Telmo: Conforme os concertos.
Rui: Sim, há concertos em que tens de estar de pé. Mas pronto, acho que se quisesse ver a nossa banda ao vivo preferia…
Telmo: …estar sentado num teatro com silêncio. Porque as vezes há aquele burburinho que chateia nas partes mais silenciosas.
Rui: Não sei se respondemos à pergunta ou não.
Telmo: No PdC era ao ar livre e se calhar já não houve aquele ambiente intimista. Não estavam 20 mil pessoas, mas não era intimista. Era um palco ali muito mais em cima das pessoas e havia confusão, havia aquele movimento normal de um festival.
Rui: Mas também é fixe estares a olhar e veres uma data de pessoas em pé a curtir.
Telmo: Mas nessa semana tivemos uma data de concertos assim.
Rui: Cada um tem as suas vantagens. Já tocamos ao ar livre ao pé de parques, rios, ao pé do mar, também é fixe porque estás ali com a natureza e sabe bem. Mas também há desvantagens, por causa do vento e o som não é sempre como queres.

Quais são os vossos planos para o futuro?

Rui: Segundo álbum. Andámos a experimentar sons diferentes… Estamos mesmo numa fase de experimentação, de várias abordagens. É a mesma linha de trabalho, mas vais sentir uma evolução que nós também tivemos enquanto músicos.
Telmo: A linha de certeza que vai ser a mesma, porque não foi assim há tanto tempo que fizemos o outro, e continuamos a ter mais ou menos os mesmos gostos, com umas bandas novas e novas influências, mas vai ser sempre na mesma linha. Estamos a pensar em introduzir muitas coisas novas, senão não vale a pena fazer uma continuação do primeiro álbum, seria morrer no tempo.

Coisas novas tipo o quê?

Telmo: Uma coisa que nós já tentamos fazer no fim do outro álbum e não conseguimos com sucesso é elementos eletrónicos numa música que se associe à nossa. Não é eletrónico daquele tipo a bombar, estás a ver, é assim algo mais simples. Por exemplo os Múm, que é eletrónico, não é aquele eletrónico chunga sempre a bombar, mas cada batida eletrónica é natural, por exemplo é uma pá a bater na areia. É brutal como eles brincam com isso.
Rui: Nós queremos ir por esse caminho. Experimentar coisas novas.
Telmo: E o álbum ter mais significado. Naquela música, aquele som específico, foi um som que nós gravámos uma vez ao pé de um rio, e ouvia-se o rio e as pedras, sei lá, uma coisa assim.

Foram uma das bandas que integrou o CD Leiria Calling e foram-vos tecidos largos elogios. Como é ser considerado um dos melhores projetos que Leiria tem dado à luz?

Telmo: Quem é que nos considera? Quero saber quem foi! *risos* Leiria tem dado bandas muito boas e nós temos orgulho de fazer parte de uma dessas bandas.
Rui: Para nós é difícil, nunca nenhum de nós se vai sentir nessa maneira de pensar que estás a dizer. Nós em Leiria vemos os The Allstar Project, são mais velhos que nós e têm um percurso maior, e nós vamos a um concerto deles e ficamos mesmo rendidos, por isso acho que nunca nos vamos sentir dessa forma.
Telmo: Nunca. Nem aos 60 anos nunca vou achar isso. Há muita coisa boa em Leiria, só que não está a vir cá para fora. Agora com o Leiria Calling vai começar a vir.


E como vais vale tarde do que nunca, aqui está a nossa “pequena” conversa com os First Breath After Coma. Prometem novidades e, vindo deles, só podemos esperar coisas muito boas. São uns tipos bastante simpáticos.

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