CoMA #15 - 1ª fase

                 Estivemos na primeira eliminatória do CoMA – Concurso de Música de Aveiro, levado a cabo pela AAUAv (Associação Académica da Universidade de Aveiro) e que incentiva bandas nacionais a “não saírem da garagem”, divulgando-se, mas mantendo-se fiéis às suas origens e à música que tanto gostam de fazer. Ficam aqui as nossas opiniões sobre os 3 dias desta primeira fase de concertos.


1º dia:
             Estavam previstas 4 bandas para arrancar este CoMA, mas por motivos de força maior apenas duas delas tocaram. A noite começou com os Virar DaSquina, banda de Guimarães que lançou em dezembro de 2014 o seu primeiro longa duração, “Até ao Fim do Mundo”. Misturando sonoridades de vários estilos musicais, os Virar DaSquina não pecam por tentarem ser ecléticos. Com uma vocalista carismática e com uma voz arrebatadora, têm a seu favor o facto de cantarem em português. Nas primeiras duas músicas, “Saudade” e “Passagem”, o baixo e a guitarra surgem como que num espelho, com riffs que fortalecem a música. Primam por pequenos arranjos no teclado que lhes trazem algo novo, algo que fica no ouvido. Como pontos altos da atuação destacamos “Rotina” e “Vícios”, esta última que, em tons de bossa nova misturada com rock, nos dá vontade de bater o pé e abanar o rabo.
                Diz-se que só canta em inglês quem não sabe fazê-lo em português, mas se essa língua se adaptar melhor ao estilo de música então porque não fazê-lo? Os P.E.I.N., banda de rock alternativo e progressivo, sabem o que fazem. Contam com pelo menos um EP, “Endless Rotations of a Parallel World”, lançado em outubro de 2013. Apesar de serem todos muito bons executantes, acreditamos que ainda precisem de um pouco mais de experiência, o que se refletia, por exemplo, num baterista que aparentava um ligeiro nervosismo, com um ou outro "preguito" de vez em quando. Com riffs cheios de reverberação, uma vocalista constantemente aos saltos, destacamos “Thanatos” (que é, em grego, o momento em que uma arma sai do corpo da vítima, os segundos antes da morte) pela bass line que, um dia depois, ainda se encontra na nossa cabeça e “Let It Shout”, o momento em que a banda mais interage com o público e o faz gritar e abanar a cabeça.
             Se, eventualmente, recaísse sobre nós a escolha de uma das bandas para passar à fase seguinte, era com ligeira dificuldade que escolhíamos os Virar DaSquina, usando como “critério de desempate” o facto de nos terem surpreendido com a beleza da voz da vocalista, a mistura de estilos, de influências e um teclista que, a certo ponto do concerto, resolveu que seria engraçado tocar com os pés.

2º dia:
                  O segundo dia de eliminatórias do CoMA arrancou com os Chukran. A banda de Sever do Vouga, que está neste momento a trabalhar no seu primeiro EP, incorpora elementos da música tradicional portuguesa na sua própria música. Com um saxofone alto e um saxofone tenor a acompanhar as suas canções, a banda teve como momento alto da atuação a sua última música. Souberam acabar em grande, com a festa à portuguesa, com sardinhas (ou não se chamasse “Sardinha” a última música) e a bater o pé, como se de um baile popular se tratasse. Não é muito fácil conseguir, de forma bem-sucedida, incorporar o espírito do cancioneiro português no rock atual, no entanto os Chukran conseguem fazê-lo, sendo relativamente bem-sucedidos.
                A segunda atuação da noite esteve a cargo dos 100 Sentidos, banda pop/rock de Santa Maria da Feira, finalista do CoMA #14, que lançou em junho de 2014 o seu primeiro álbum de originais, “Dois Lados”. Relativamente experientes (pois, se bem nos recordamos do que foi dito no concerto, já tocam desde 2008), essa experiência é transmitida por um vocalista extremamente comunicativo. As suas canções parecem encaixar quase todas no mesmo molde de estrofe/refrão/estrofe/refrão, por vezes com uma introdução mais prolongada ou uma ponte lá no meio, podendo ser ligeiramente repetitivos. O vocalista, no entanto, não falha nos falsetes, tendo esse ponto a seu favor.
                  A noite continuou com Gonçalo Pato, músico da Mealhada, que veio apresentar o Projeto Vespa (Gonçalo Pato na guitarra, baixo e voz e Rui Balança na bateria). Por vezes surge aquela banda que, apesar de ter um ou outro elemento bastante bom enquanto executante, não consegue “concretizar” (tivemos dificuldade em arranjar a palavra correta). Um baterista bastante talentoso não é o suficiente quando o vocalista e guitarrista fica aquém. É mais ou menos isto que podemos dizer. Talvez se possa destacar o cover de “Maria Faia” de Zeca Afonso, como forma de celebrar a cidade de Aveiro (para aqueles que desconhecem este facto, o nosso Zeca nasceu em Aveiro).
              Talvez exista alguma verdade na expressão “o melhor fica guardado até ao fim”. Esse melhor deu-se pelos Brain Circles, banda de Matosinhos que mistura o rock psicadélico com o blues. Comecemos por um teclado que faz lembrar um órgão. “Música de igreja?”, perguntam vocês. Não nos lembramos de ir a uma missa e o grupo coral começar com psicadelismos, solos frenéticos e uso desregrado de pedais. Usam e abusam dos solos, de uma bateria ágil e orelhuda, um baixo que faz lembrar funk e um conjunto de riffs que, bem, f***-**! Como se os Unknown Mortal Orchestra se encontrassem com o Blood Sugar Sex Magik ou o Californication dos Red Hot Chili Peppers (isto fez sentido nas nossas cabeças). Os Brain Circles têm tudo para dar certo e destacamos como ponto forte a forma como a banda age entre si e como pontos altos as músicas “Victim of Modern Days” e “Tea Cup In a Bottle”. Acreditamos que caso tivéssemos de escolher a banda que passava nesta eliminatória este texto denunciaria imediatamente as nossas vontades.

3º dia:
       O CoMA não podia ter arranjado melhor maneira de acabar estes 3 dias de eliminatórias, com concertos de duas das melhores bandas que estavam em concurso. Os Lâmpada Mágica, banda de Aveiro que conta com músicos que estão ligados à UA, foram criados propositadamente para participarem neste concurso. Com uma semana de vida, ainda sem qualquer tipo de rede social oficial ligada à banda, foram uma lufada de ar fresco e novo neste CoMA, apresentando uma fusão de jazz, funk, rock e ainda, por vezes, um pouco de spoken word. A sua primeira música, "Alive", começou a atuação de forma extremamente ritmada, com solos de saxofone tenor que dão ainda mais carisma à música. Seguem-se duas músicas em português, "Face Oculta" e "Maria Inês", a saltitante "Break Time" e, por fim, um retrato de uma aventura que tem tudo para ser verídica, "Alfredo (foi ao Enterro)". Talvez uma das partes mais importantes de uma atuação (pelo menos para nós, pois também somos músicos) seja quando uma banda se diverte em palco e aproveita aquilo que está a fazer. Os Lâmpada Mágica aproveitaram ao máximo a sua atuação e conseguiram, de forma excelente, animar quem os ouvia.
    O segundo pico da noite foram os Indigo Waves, banda de rock instrumental com influências de prog, alternative e hard rock. A banda, também de Aveiro, iniciou a sua atividade no ano passado e têm planos para este verão gravarem o seu primeiro EP. Têm a sua principal força nas guitarras que por vezes trazem ecos que nos lembram os solos de Tom Morello ou Matt Bellamy. Fazem música que não se torna monótona, pela variedade de riffs que jogam com pedais e várias técnicas de solo diferentes e pela maneira como, individualmente, as músicas são trabalhadas de modo a atingirem vários "clímaxs". Uma atuação bastante coesa que começou com uma "Intro" poderosíssima, seguida da tormenta e acalmia de "Bipolar" e "Blue Joke" (ajudamos a dar nome a esta), "Exploration", uma música que ainda estava a ser trabalhada e ainda não tinha nome, "Motion Of The Ocean" e por fim a pressa de "Take The Money And Run". Os Indigo Wave estão no caminho certo para virem a ser muito falados daqui a pouco tempo e nós vamos estar muito atentos.
      As eliminatórias acabaram com os Zekexperience, que ficaram um pouco atrás das outras duas bandas que tocaram no último dia. A banda não é, nem de perto nem de longe, má, muito pelo contrário (apresenta uma boa qualidade sónica, músicas sem forma muito definida que soam bastante bem, têm, no entanto, como principal falha os seus vocais, que não são dos melhores que passaram pelo CoMA #15), apenas teve o azar de competir contra duas bandas de altíssima qualidade. A banda de Celorico de Basto consegue no entanto apresentar umas frases no baixo bastante interessantes (destacamos "Fumo" e "Quero Viver" como pontos mais altos da atuação).
     E assim acabou a edição deste ano do Concurso de Música de Aveiro. Uma vez mais, se estivesse a nosso cargo decidir quem passaria à final, iríamos tentar fazer uma macumba e umas magias negras para que tanto os Lâmpada Mágica como os Indigo Waves conseguissem marcar presença no concerto da final, agendado para dia 19 de março, sendo parte integrante da programação da Feira de Março, que se realiza no Parque de Feiras e Exposições de Aveiro.

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