Os portugueses precisam de tempo para se habituarem a certas ideias e certas coisas de si próprios


O prometido é devido, aqui está a entrevista que fizemos, em colaboração com o JUP (daí uma perguntinha sobre universitários) feita ao Jorge Cruz, vocalista da banda, com interrupções simpáticas do Manuel e do João Pinheiro.

Como eram os Diabo na Cruz na garagem?
Jorge: Nós ainda hoje somos uma banda um bocadinho de garagem, ainda temos esse, não sei, esse espírito inicial e ensaiamos numa garagem ainda. Sempre que estivemos em sítios com mais condições estranhamos um bocadinho, até parece que és uma banda mais importante mas depois na verdade não tem aquela pica que sacamos na garagem.
Ensaiamos na garagem do baterista, que é o clássico, porque o baterista tem de fazer mais barulho e tem de ter um sítio para tocar, portanto a gente junta-se lá.

Porquê Rock Popular?
Jorge: Rock Popular porque somos todos do rock e temos uma banda de rock, e quando vires o concerto, vais ver que a nossa música é muito acerca de “rockar”.
Popular porque é essa a nossa vontade, é fazer um rock… Não é um rock como a gente já ouve, já conhece de outras bandas, era pra fazer qualquer coisa que fosse portuguesa e encontrar uma forma de juntar uma linguagem à outra e fazer algo nosso, Diabo na Cruz.


Acham que se está a recuperar esta relação com o Portugal profundo?
Jorge: Pois, essa relação… Mais do que isso, eu acho que já temos dado, desde que a banda existe até hoje, já certas coisas são diferentes. Os portugueses precisam de tempo para se habituarem a certas ideias e certas coisas de si próprios. Durante muito tempo lidaram mal consigo e agora gostam mais de si próprios e têm mais vontade de usufruir das suas próprias características e então algumas coisas que já fazemos hoje em dia já não parecem tão revolucionárias como eram há 5 ou 6 anos, já são mais aceites, já são mais normais, e isso é fixe.

Qual é a dinâmica para conciliar os interesses de seis músicos diferentes?
Jorge: Ora bem, normalmente, ditadura. É o melhor *risos*. A democracia é uma coisa complicada e nós às vezes não temos paciência para ela e já deu cabo de muitas bandas. Opá, tentamos que toda a gente se expresse e esteja confortável e goste do que está a fazer, porque vai dar assim um rumo que vai sendo traçado, cada um vai tendo o seu papel, um papel diferente. Alguns têm um papel mais influente a definir rumos e estratégias, outros que têm um papel mais influente a dar opinião sobre arranjos, há outros que têm um papel mais influente sobre qual é o hotel onde vamos dormir *risos*.

Depois de “Virou” e “Roque Popular” tornaram o vosso novo álbum num homónimo vosso. Também se nota uma maior dedicação às letras. Acham que foi o começo de uma nova fase para os Diabo na Cruz?
Jorge: Sim, porque depois de muito caminho andado, epá…
Sentem que houve diferenças?
Jorge: Sim, que… não sei, chegas a um equilíbrio novo, eu acho que isso acontece com as famílias, com os amigos, com as relações de amor. Elas passam por fases diferentes e numa banda é igual, é tipo um casamento.
É uma fase para continuar?
Jorge: Sim, sem dúvida!


A Casa da Música é a sala de espectáculos por excelência do Porto. Vocês também já atuaram nos grandes palcos de Lisboa. Onde vos falta ir?
Jorge: Ora bem, ainda nos falta ir a vários sítios, mas estarmos aqui é um grande marco, é um bom momento. O Porto é uma cidade super importante para mim, para o Sérgio em particular que é do Porto, pró resto do pessoal também acaba por ser porque sempre que cá vimos eles percebem que há uma energia diferente no público. Eu vivi aqui muitos anos e tenho uma expectativa muito grande acerca do concerto de hoje aqui na Casa da Música.

Os Diabo na Cruz nasceram e cresceram num período em que surgiram as “novas bandas do bom rock português”. Sentem que, por isso, a pressão cresce ou são maiores os factores positivos?
Jorge: Muito maiores os factores positivos porque tivemos oportunidade de surgir numa altura em que se deu mais atenção a um tipo de música que durante muito tempo, na verdade, não tinha muito espaço. O facto de nós sermos uma banda que está a continuar a trabalhar, que está de boa saúde é um privilégio, é o resultado de muito trabalho.

Nós somos um jornal universitário, por isso a nossa ideia era aproximar-vos do nosso público. Como eram vocês como estudantes?
Jorge: Fomos todos estudantes e éramos todos estudantes que passavam muito tempo na música creio eu, éramos um bocado baldas *risos*. Mas também acabamos os cursos… Acho que nem todos, mas eu acabei o meu curso e o João Pinheiro também.
Eu nas aulas era aquele gajo que estava com a caneta a fazer ritmo e a ouvir um bocado do que o professor estava a dizer, mas depois acusavam-me de aluado mas não, eu estava interessado. Só que se calhar estava sempre a compor e tal, a imaginar que um dia ia ter uma banda que ia tocar na Casa da Música.
*João Pinheiro chega e dá-lhe um beijo*
Jorge – Aí está ele! Quem é que acabou mais o curso para além de ti e eu?
João- Acho que o Bernardo fez um curso de hotelaria! *risos*

Já alguém escreveu que a vossa “falta de vergonha” vos tinha levado ao folclore. É falta de vergonha, é coragem, é o quê?
Jorge: Falta de vergonha ou coragem… Há um lado mais provocador, o “porque não”, acho que é a vergonha dos outros, porque para nós isso é aceitável e interessante. Para nós é estimulante.

Depois de dois anos a preparar este álbum, o que se segue?
Jorge: O que se segue é que o Manel…
Manuel: Vai para os camarins neste momento! *risos*
Jorge: O que se segue é uma tour extensa, uma banda a crescer com cada vez mais público, mais músicos a serem conhecidos pelas pessoas e, depois mais tarde, um disco novo quando tivermos a achar que é o momento para isso.

Mas para já segue-se o usufruir também de todo o trabalho que tivemos, o resultado que está a ter perante os outros e podermos agora conviver. Uma pessoa fecha-se um bocado para chegar aos resultados. 






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2 comentários:

  1. adorei esta entrevista e o novo lay-out da página <3

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    1. Obrigada Sara, és sempre um amor e por cá gostamos muito de ti. <3

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